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Nota sobre o falecimento de Cônego Walter Maria Pulcinelli

Escrito por Amor Mariano

Salve Maria Puríssima!

Ontem, por volta das 22:00, recebi a notícia do falecimento de Cônego Walter Maria Pulcinelli, padre que esteve à frente da Paróquia Sagrada Família e Santo Antônio (Machado/MG) por 45 anos.

Resolvi escrever esse pequeno texto, afinal, Cônego Walter teve um grande papel em minha educação Católica. Se hoje tenho um imenso amor à Santa Igreja, à Santíssima Virgem e a Nosso Senhor Jesus Cristo, boa parte disso se deve a 12 anos em que estive ao seu lado como coroinha e depois acólito (dos 06 aos 18 anos de idade).

Tenho grandes lembranças deste sacerdote, lembranças muito boas. Tenho também algumas tristesas que compartilho com ele, como o abandono da batina e da Missa de Sempre.

Em uma de nossas conversas, esse que posso chamar de Pai Espiritual, me disse que sofreu muito, muito mesmo quando foi pressionado pela Diocese, outros padres e até leigos a tirar a batina. Segundo ele, achava algo esplendoroso um Padre de Batina, que ao chegar em algum lugar todos se voltavam a ele com respeito e reverência. Não podemos atribuir a ele a covardia por ter cedido, pois não sabemos as pressões e ameaças que sofreu naquela triste época para a Santa Igreja.

Mesmo rezando a missa nova, já sem a batina que é a armadura dos Sacerdotes Católicos, ele sempre buscou o maior zelo possível para com as almas. Certamente cometeu erros, como não combatendo a maçonaria, que tem grande força na cidade, ou outros tipos de erros, mas são erros que ELE irá responder à Nosso Senhor, a nós cabe rezar por ele, pois como dizia Santo Atanásio:

O chão do inferno esta pavimentado com crânios de bispos.

(Nota do Blog: Certamente misturado aos de Padres e até Papas)

Vou replicar aqui parte de um texto que o sobrinho do Cônego Walter escreveu, antes porém, gostaria de lembrar uma de minhas últimas conversas com ele, onde dizia que estava profundamente triste pois retiraram os confessionários da Igreja Matriz, construída sobre sua direção. Cônego foi retirado (ou forçado a sair) da paróquia que tanto trabalhou, e quando chegaram novos Padres logo trataram de retirar os confessionários, usados por Cônego Walter por décadas, todos os domingos as 05:30 da manhã lá estava o bom Padre para atender as confissões, antes da missa das 06:30.

Peço a todos que rezem ao menos um Santo Terço pela alma do Cônego Walter. Não nos esqueçamos que os Padres serão duramente cobrados por Nosso Senhor Jesus Cristo, e nossas orações são muito importantes.

Vamos ao texto que retrata bem quem foi Cônego Walter Maria Pulcinelli:

Há poucas horas perdi meu amado tio-avô, aos seus 89 anos, em Machado, MG. Um dos dois últimos filhos vivos de meus bisavós. Tio Walter. Tio Padre. “Mio diletto, caríssimo Zio Prette”.

Padre, Cônego, Monsenhor católico romano. Formado em Teologia e em Sociologia em Roma. Foi pároco da Paróquia da Sagrada Família, em Machado, por 45 anos. Professor e Reitor do Seminário Diocesano, Vigário-Geral e Chanceler do Bispado da Diocese de Guaxupé, no Sul/Sudoeste de Minas Gerais. Sacerdote amado na cidade que escolheu para viver e servir a Deus e ao povo.

Nos últimos mais de cinquenta anos, não há nada de progresso ou cunho social e educativo em Machado, que não tenha não só o dedo mas todas as mãos de meu tio. Até um pavilhão em sua homenagem na Casa de Cultural da cidade.

Ele era o filho caçula de meus bisavós Nello e Erminia Petrillo Pulcinelli e nasceu na cidade de Muzambinho. Jamais vou me esquecer da imagem dele no funeral de vovô Nello.

Lembro-me como se fosse hoje da cena dele, “vestido de padre”, assentado à cabeceira de seu esquife, rezando o terço em intensão de sua alma.

Tio Walter havia acabado de completar seus 89 anos e seus 64 de ordenação sacerdotal. Ele ingressou no Seminário Menor aos 10 anos de idade e dedicou toda sua vida ao sacerdócio.

Recordo-me de sua irmã, tia Isolina, in memoriam, contando que sua brincadeiras quando ainda muito criança, eram de celebrar missa, que ele saia pelas ruas de Muzambinho puxando uma procissão como se já padre fosse e vários fiéis o acompanhavam cantando e rezando.

Era um padre como os de antigamente, daqueles que não se produzem mais. Homem culto, erudito, poliglota, com ética e postura, austero, firme, forte, rígido, mas ao mesmo tempo humilde, servo, alegre. Daqueles que faziam a homilia na missa de domingo e o prefeito da cidade tremia…

Foi convidado duas vezes a ser Bispo, mas declinou, pois sempre desejou apenas ser um padre de paróquia.

Foi radialista, cronista, escritor e orador reconhecido. Sinto saudades dos dias de férias em seu sítio, dos trabalhos de benfeitoria que fazíamos lá como forma de integração e relax, do vinho de laranja produzido por ele com a receita secular de vovô Nello, trazida da Itália. Me lembro bem da sua vastíssima coleção de discos de ópera e música erudita italiana.

Me recordo da casa paroquial, onde viveu por décadas, da Vila Betânia, com as estações da Via Crucis, da nova Igreja Matriz de Machado, dos almoços de culinária italiana regados a bons tintos (ele tinha muito bom gosto, rs).

Texto de Nello Pulcinelli

Rezemos.

Ataíde Maria – Indigno Escravo de Maria Santíssima

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Amor Mariano