• Missa ecumênica? Data da Postagem: 28 mar 2013 | Autor: Ataíde | Comentários: 0 comentário
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    O Concílio Vaticano II, uma história nunca escrita (V): A gênese do Missal de Paulo VI nas aulas conciliares.

    Lançado em 2011 na Itália, a prestigiosa obra do Professor Roberto de Mattei, intitulada “O Concílio Vaticano II – Uma história nunca escrita”, chega ao público lusófono. A Editora Caminhos Romanos, detentora dos direitos sobre a versão portuguesa do laureado livro — Prêmio Acqui Storia 2011 e finalista do Pen Club Italia — , concedeu aoFratres in Unum a exclusiva honra de divulgar alguns excertos deste trabalho – um verdadeiro marco na historiografia do Concílio Vaticano II.

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    Uma Missa ecumênica?

    Quando, a 5 de Novembro [ndr: na primeira sessão do Concílio], foram retomados os debates conciliares, um dos vinte e quatro oradores que tomaram a palavra foi Mons. Duschak[1], bispo titular de Abida e vigário apostólico de Calapan, nas Filipinas, mas alemão de nascimento, que defendeu a necessidade de uma “Missa ecumênica” decalcada na Última Ceia[2].

    “Cristo celebrou a primeira Missa diante dos Apóstolos — voltado para o povo, seguindo o costume então vigente durante as ceias. Cristo falou em voz alta, de maneira que todos, por assim dizer, ouvissem o Cânone desta primeira Missa. Cristo serviu-se da língua falada, para que todos O compreendessem sem qualquer dificuldade, a Ele e às palavras que disse. Nas palavras “fazei isto”, de acordo com o seu significado completo, parece estar contido o preceito de celebrar a Missa como uma ceia, de frente, ou pelo menos em voz alta, e numa língua que os comensais compreendam.”

    Mons. Duschak convidava pois: “a uma colaboração entre os especialistas de todos os ritos e das Igrejas que conservam a fé na eucaristia; para se compor uma Missa que se possa chamar verdadeiramente ecumênica ou “Missa do mundo”, e com ela a tão desejada unidade, pelo menos na memória eucarística do Senhor. O povo de Deus gozaria assim da participação perfeita e íntima de que gozaram os Apostolos na Última Ceia.”[3]

    À tarde, Mons. Duschak explicou a sua intervenção aos jornalistas, salientando que a sua ideia consistia em “introduzir uma Missa ecumênica, despojada, na medida do possível, das superestruturas históricas, baseadas na essência do Santo Sacrifício e firmemente radicada na Sagrada Escritura”[4]. O Prelado chegava ao ponto de pretender alterar as palavras tradicionais do Cânone: “Se os homens dos séculos passados puderam escolher e inventar os ritos da Missa, por que não pode o maior de todos os concílios fazer a mesma coisa? Por que não havemos de decretar a elaboração de uma fórmula da Missa, adaptada ao homem moderno, para corresponder, com toda a reverência, aos desejos deste?”[5] Toda a Missa, insistia Duschak, devia ser celebrada em voz alta, em língua vernácula, e voltada para o povo. Estas propostas, que na altura pareceram radicais, seriam postas em prática ainda antes do encerramento do Concílio.

    Mas as réplicas não faltaram. Ao Cardeal Döpfner, que tinha afirmado que era necessário introduzir as línguas vernáculas também porque os candidatos ao sacerdócio, formados nas escolas públicas, já não sabiam latim, respondeu Mons. Carli salientando que os referidos candidatos também não conheciam a filosofia e a teologia cristã e ninguém se lembrava de os ordenar antes de terem completado os seus estudos nestas matérias[6].

    Estava-se em presença de um confronto entre a Cúria Romana e algumas conferências episcopais, sobretudo a francesa e a alemã, apoiadas por determinados bispos dos países do Terceiro Mundo, como Mons. D’Souza que, nas suas intervenções de 27 de Outubro e 7 de Novembro de 1962[7], solicitou que se atribuísse às conferências episcopais o direito de escolherem a língua em que queriam fazer o rito, mas também o direito “de adaptarem a liturgia dos Sacramentos”[8]; e Mons. Bekkers[9], que afirmou que apenas “o núcleo sacramental fundamental de todos os sacramentos” tinha de ser “universal”, “mas que, para uma celebração mais evoluída e mais ampla deste núcleo sacramental, seja concedida uma amplíssima liberdade, de cujos limites apenas a conferência de bispos de cada povo pode julgar adequada, contanto que os actos sejam aprovados pela Santa Sé”[10].

    Para o partido anti-romano, o latim era o instrumento de que a Cúria se servia para exercer o seu poder. Enquanto o latim fosse a única língua da Igreja, Roma teria competência para controlar e verificar os ritos; se, porém, se introduzissem na liturgia centenas de línguas e costumes e línguas locais, a Cúria perderia automaticamente as suas prerrogativas e as conferências episcopais passariam a ser os juízes desta matéria. “Era precisamente neste ponto que insistia a maioria que começava a perfilar-se, e que pretendia que as conferências episcopais fossem autorizadas a tomar determinadas decisões importantes em matéria de usos litúrgico”, sublinha Wiltgen[11].

    A aliança progressista recebeu na aula o apoio de um numeroso grupo de bispos da América Latina, chefiados pelo Cardeal Silva Henriquez, arcebispo de Santiago do Chile; estes Padres, recorda ainda Wiltgen, manifestavam o seu reconhecimento pelas importantes ajudas financeiras que tinham recebido durante os últimos anos do Cardeal Frings de Colônia, através das Associações Misereor e Adveniat: “Um número significativo daqueles aproveitaram a ocasião do Concílio para fazer uma visita ao Cardeal Frings, e agradecer-lhe pessoalmente, vieram a encontrar-se envolvidos na aliança.”[12]

    O Concílio Vaticano II – Uma história nunca escrita, Roberto de Mattei, Ed. Caminhos Romanos, 2012, p. 214-216.

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    [1] Wilhelm Josef Duschak (1903-1997), alemão, da Sociedade do Verbo Divino, ordenado em 1930, bispo de Abida (1951) e vigário apostólico em Calapan (Filipinas) entre 1951 e 1973.

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    Comentário de Arnaldo Haas

    OBS> Tudo leva a crer que esta linha de pensamento, infelizmente será vitoriosa. Nós aqui estamos em silêncio quanto ao que acontece no Vaticano, mas há coisas que não podemos calar. Eu de minha parte morrerei lutando pela Eucaristia, pela Santa Missa e neste capítulo do livro citado o autor da a pista de como a coisa começou. É certo que a Santa Missa acabará sendo transformada em mera ceia ecumênica, com a participação ativa de pessoas de todos os credos sem distinção, em nome de certa, mas mil vezes maldita “tolerância”, e de um três mil vezes amaldiçoado “culto entre irmãos que se amam”.

    Percebam que discursos como este do tal Monsenhor acabaram por influir na modificação da Santa Missa para o rito novo, o que já a transformou de Sacrifício em apenas “memorial”. E com isso um abismo se criou entre uma e outra. E com isso o Purgatório inflou! O inferno também! Esta coisa que eles pretendem impor ao mundo católico é sem dúvida alguma a abominação predita por Daniel e confirmada por Jesus no Evangelho de Mateus. O verme está posto no falso ecumenismo, na união de todos os credos em toprno de uma celebração sacrílega, porque pretende transformar em humano, aquilo que É divino e eterno, e com isso quebra o pacto feito entre Deus e os homens, e que foi assinado com o Sangue Preciosíssimo de Jesus. Este crime não terá perdão, é contra o Espírito Santo!

    É preciso que todos os católicos entendam: Jesus É a Santa Missa! Jesus É a Eucaristia! A Eucaristia É Jesus real, vivo e verdadeiro, não apenas mera lembrança, ou memorial da Paixão. OU é assim, ou é nada! Na Missa o Sacrifício se repete, e se consuma milhares de vezes por dia, a cada Missa que se celebra, nos diferentes fusos horários do planeta. A Eucaristia É o centro da vida da Igreja! A Eucaristia É a vida da Igreja! Se ela for retirada, automaticamente Deus também é retirado do nosso meio, e o demônio sabe disso. Pena que milhares de sacerdotes, diria mais de 275 mil em todo mundo, dentre os 413 mil existentes, que já não acredita no mistério que celebra – e se e quando celebra comete sacrilégio – no que se constitui no maior desastre planetário. E não gostaria de estar na pele de nenhum dos 275 mil.

    Em síntese, tirada a consagração pela supressão de sua fórmula IMUTÁVEL, automaticamente não haverá mais Jesus presente. Não havendo Jesus, quem vai ocupar aqueles espaços e aquelas celebrações é sem dúvida Lúcifer, ele é que estará no trono, no lugar do Sacrário, que será retirado para dar espaço ao culto do eclético e abominável deus das trevas. Transformem a Santa Missa em ceia ecumênica, retirem dela o cerne divino, que é a Consagração válida, mudem o sentido de Sacrifício para confraternização, e terão construído um altar para os demônios. Até que se inflame a Justa, Santa e Perfeita Justiça divina!

    Neste momento o homem terá erigido sua nova igreja! Sem Deus! E a terra ficará quase que de todo à mercê dos demônios, que poderão agir com liberdade nunca vista. É a lógica: retirem Deus, entra o inferno em seu lugar! E é este ato “ecumênico” que fará libertar as multidões do báratro nefando, que subirão à superfície do planeta para a última e mais fragorosa de todas as batalhas. O crime de lesa-a-Deus não está em si na celebração, mas no fato de que um rito meramente humano, pretende suplantar a Aquilo que Deus mesmo instituiu por eterno. Trata-se de um descaramento inominável! Jesus jamais irá participar de uma celebração destas, e nós também não deveremos participar. Mas ela virá!

    Homens da hierarquia da Igreja Católica Apostólica Romana, Uma e Santa, a vós todos, da infinita miséria de meu nada eu clamo, e isso do mais fundo do meu coração: não ousem destruir a Santa Missa como Sacrifício! Não ousem expulsar Deus do centro de nossas vidas, de nossas comunidades paroquiais e do centro da Igreja no mundo inteiro. Não sou eu que aviso as Escrituras Sagradas estão aí e elas não mentem: o destino de quem ousar tamanho desafio contra Deus é o lago de fogo eterno.

    Quanto aos A amam, creem e adoram, o pedido é amar mais, crer com mais vigor, e adorar com todas as forças, enquanto nos deixam, enquanto não nos proíbem. Porque chegará o tempo da escassez. Entre os 275 mil há muitos soldados do inimigo, que hoje trabalham vigorosamente para ele. Pondo os sacrários fora do centro, tirando os bancos genuflexórios, proibindo as horas de adoração, e afastando os adoradores do nosso Deus.

    Rezemos por eles, porque eles não sabem o que fazem! (Aarão)

    Fonte: www.recadosaarao.com.br