• Curso de Liturgia Parte 4: Como preparar a celebração eucarística Data da Postagem: 11 set 2012 | Autor: Ataíde | Comentários: 0 comentário
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    Observação importante: esta apostila não é completa. Para uma visão geral e completa da Liturgia é indispensável a leitura do Catecismo da Igreja Católica nn. 1066-1690.

    Como preparar a celebração eucarística

    O local da celebração

    - Sendo a Eucaristia ação sagrada por excelência, não deve ser celebrada em qualquer local. O ambiente normal da celebração é o templo. Somente extraordinariamente pode ser celebrada fora da igreja e, nas residências, somente com licença expressa do Bispo.

    - O ambiente da Eucaristia deve:

    * ser digno: limpo, bem conservado, iluminado, ornamentado com bom gosto e simplicidade;

    * ter um altar coberto com uma toalha sempre de cor branca. Não se deve usar uma mesa qualquer para a Eucaristia! A toalha deve ser, sempre que possível, de linho e de forma retangular. No altar devem-se colocar sempre duas velas e, nele ou a seu lado esquerdo, um crucifixo com a imagem do Crucificado. Não é correto se colocar flores sobre o altar. Nele deve também estar o missal, aí colocado depois que o padre o tiver marcado na sacristia.

    * ter sempre uma estante (ambão) para a leitura da Palavra de Deus no lado direito do altar. Assim como é indispensável a mesa do Pão eucarístico, é também indispensável a mesa do Pão da Palavra! Do ambão são feitas as leituras e o salmo (que faz parte da liturgia Palavra e não pode ser modificado ou substituído por um canto de meditação), a proclamação do Evangelho e a oração dos fiéis. Na estante deve estar o lecionário (livro de leituras). Nunca se deve fazer as leituras da missa pelo jornalzinho. Também não é correto fazê-la na Bíblia. O comentarista não deve fazer os comentários no ambão…

    * ser preparada do lado direito uma mesinha (credência) coberta de branco. Na credência devem estar:

    = o cálice com o sanguinho (o pano que serve de “guardanapo”),

    = a patena (de preferência funda) com a hóstia grande e partículas para a comunhão dos fiéis,

    = o corporal (pano grande e quadrado, dobrado, que é forrado sobre o altar),

    = a pala (pequeno quadrado forrado de branco para cobrir o cálice),

    = se necessário, uma âmbula (cálice tampado com as demais partículas que serão consagradas. Também é chamada de cibório),

    = as galhetas com vinho e água,

    = uma pequena bacia com um jarro com água para o padre lavar as mãos,

    = o manustégio (uma toalha para enxugá-las).

    * ser preparada uma cadeira digna para o Presidente da celebração. Essa cadeira nunca deve ficar na frente do altar, mas atrás ou a seu lado. A cadeira não deve ter forma de poltrona ou de trono. Os banquinhos para os acólitos não deveriam estar ao lado da cadeira do presidente, mas no canto, para não dar a impressão que estes estão concelebrando canto.

    * ser reservado um local para os cantores.

    Os participantes da celebração

    - Participa da Eucaristia todo fiel batizado. Um não batizado pode assistir, jamais participar, pois não faz parte do Corpo sacerdotal de Cristo.

    O sacerdote torna presente Cristo Cabeça; os fiéis são o Corpo sacerdotal do Senhor. Padre e fiéis tornam presentes sacramentalmente o Cristo Total no seu ofício sacerdotal.

    - Na celebração cada um tem seu ofício. A regra mestra para participar é esta: cada um faça tudo e somente e que lhe compete. Por exemplo: é errado o padre fazer as leituras ou cantar o salmo: isto compete aos leigos; como é completamente errado um leigo fazer a homilia! Um erro muito comum é os leigos dizerem a oração da paz e a doxologia «por Cristo, com Cristo, em Cristo» – isto compete somente ao padre. O missal explica tudo e, por ser celebração de toda a Igreja, ninguém nem grupo particular nenhum, pode modificar o que é determinado pelo missal! Um padre que quisesse celebrar do seu jeito estaria deixando se ser ministro (servo) da Igreja para ser usurpador, fazendo da Santa Missa a sua «missinha» particular. Os fiéis devem rejeitar um tal comportamento!

    - O comentarista não deve fazer também a leitura ou salmo.

    - Os acólitos que servem na celebração devem estar digna e modestamente vestidos. O correto é estarem sempre de túnica.

    O que se canta, o que se comenta

    - Os comentários devem ser breves e claros. Podem-se fazê-los: na introdução, antes de cada leitura, antes da apresentação das ofertas, após a oração pós-comunhão. O comentarista nunca deve anunciar o livro a ser lido (é o leitor quem o fará). Nunca se deve dizer capítulo e versículo da leitura a ser feita ou do salmo a ser cantado. Também nunca se diz “palavras do Senhor”, mas “Palavra do Senhor”.

    - Quanto aos cânticos: devem ser sempre litúrgicos. É proibido cantar nas celebrações litúrgicas cânticos profanos! Só se canta um cântico composto especificamente para a liturgia!

    No Glória, Credo e Santo e Cordeiro de Deus não é permitido alterar a letra que vem no missal. Mesmo quando cantados, devem ter seu texto alterado. O mesmo vale ainda mais para o Pai-Nosso

    - Não existe na liturgia o “canto da paz”; não se deve cantá-lo, pois o abraço da paz deve ser simples e discreto. Caso teime-se em cantá-lo, deve-se, então, necessariamente, cantar o Cordeiro de Deus.

    Como organizar a procissão das ofertas

    - Rigorosamente, não se devem oferecer coisas que depois serão retomadas! Isso seria um teatrinho! O que é oferecido deveria ser coisas para a celebração, para a manutenção da Igreja e para ajudar aos necessitados.

    A ordem da procissão é a seguinte: primeiro as ofertas que se queiram trazer. Por último o vinho, a água e o pão. Não se traz o cálice vazio, nem as velas, nem a cruz, nem o missal, e muito menos a bacia com o jarro d’água!

    As ofertas são entregues ao Padre ou ao Diácono.

    Como comungar

    - Há somente dois modos de comungar:

    * um mais antigo: na mão. O fiel estende as duas mãos, a direita sob a esquerda. O padre coloca o Corpo do Senhor, dizendo: «o Corpo de Cristo»; o fiel toma a hóstia, responde «amém» e comunga, observando se ficou algum fragmento na mão para limpá-lo.

    * um modo mais recente: na boca. Após responder «amém», o fiel abre a boca e estira a língua um pouco.

    - Quando a comunhão é sob as duas espécies é dada sempre na boca.

    - É errado:

    * ir ao altar e pegar a hóstia. A comunhão deve ser sempre recebida: «Tomai!», disse Jesus!

    * pegar a partícula das mãos do padre antes que ele a deposite na palma de nossa mão.

    As cores litúrgicas

    - De acordo com os tempos litúrgicos e com as festas celebradas, mudam-se as cores litúrgicas. São elas:

    - Verde: usada no tempo comum, quando não há nenhuma comemoração especial. Significa a esperança cristã, fundamentada na Ressurreição do Senhor e na sua presença na Igreja: na aparente banalidade da vida, o cristão espera sempre, pois o seu Senhor está presente.

    - Branco: usada no tempo do Natal e Pascal, nas festas de Cristo, da Virgem Maria e dos Santos não mártires. Significa a pureza da vida cristã, a fé e a vida nova trazida por Cristo.

    - Vermelho: usada na Sexta-feira Santa, na Solenidade de Pentecostes e nas festas dos Santos mártires. Significa o fogo do amor divino doado pelo Espírito que faz, inclusive, derramar o sangue no testemunho de Cristo.

    - Roxo: usada nos tempos de penitência: Advento e Quaresma, bem como nas missas exequiais (pelos mortos) e celebrações penitenciais. Significa a sobriedade e o luto de um coração contrito e humilhado.

    - Rosa: é facultativa. Trata-se de um roxo mitigado e pode ser usada no Terceiro Domingo do Advento e no Quarto da Quaresma.

    Ritos e gestos da celebração

    - Eis alguns dos gestos mais significativos:

    * abrir os braços: era o modo de rezar dos judeus e dos antigos cristãos recorda também os braços abertos do Crucificado.

    * estar em pé: atitude de atenção, de disponibilidade, de respeito.

    * ajoelhar-se: atitude de adoração, de dependência é a atitude básica do cristão diante do Senhor ressuscitado: diante dele se dobre todo joelho, no céu e na terra (cf. Fl 2,10). O mesmo sentido tem a genuflexão diante do Santíssimo. É bom recordar que é obrigatório ajoelhar-se durante a consagração. Há padres que, de modo abusivo e autoritário, proibem o povo de ajoelhar-se. Isto é contrário às normas da Igreja. O padre que faz isso está totalmente errado: está ensinando o povo a agir de modo contrário ao que a Igreja orienta!

    * inclinar-se: sinal de respeito, humildade, dependência, súplica.

    - Eis alguns ritos:

    * abraço da paz: é o modo tipicamente cristão de saudar-se em Cristo. na Igreja antiga os cristãos trocavam entre si o ósculo (beijo na face) em sinal da fraternidade em Cristo. Saudar-se em Cristo é desejar ao outro a paz que Cristo nos deu; é também reconhecer que o outro está comigo na mesma Paz, ou seja, na mesma e única Igreja de Cristo.

    * a fração do Pão: é um gesto que recorda o próprio nome da Missa.foi o gesto de Jesus. Em Roma, o rito chamado “fermentum” adquiriu um significado belíssimo: após partir o Pão consagrado, o Bispo enviava uma partícula para seus presbíteros, que celebravam nas várias paróquias. Esses padres, misturavam esse pedaço com o vinho da missa que eles celebravam, indicando, assim, que a missa celebrada por eles era a mesma do Bispo. Assim, esse gesto significa que a Eucaristia é uma só, é sacramento de unidade! Atualmente, o rito recorda que ambas as espécies pertencem à única pessoa do Cristo glorioso em sua totalidade: Cristo todo no pão e todo no vinho, vivo, ressuscitado.

    Fonte: www.domhenrique.com.br