formação Igreja

Cristo desceu à Mansão dos Mortos ou aos Infernos?

Escrito por Amor Mariano

Salve Maria Puríssima!

Essa semana uma leitora do blog nos enviou a seguinte pergunta:

Prezados Irmãos em Cristo,

Salve Maria!

Tenho 62 anos e lá pelos meados de 1963 fiz a Primeira Eucaristia e depois deixei a Igreja, em virtude da família ser toda espírita.

Por graça de Deus e Maria, faz vinte e dois anos que estamos de volta na Igreja Santa e tenho muito que aprender.

Por favor me ensinem uma coisa: quando deixei a Igreja, no Credo se rezava: …morto e sepultado, desceu aos infernos e ressuscitou ao terceiro dia…

Quando foi alterado, porque e por quem?

É claro que essa mudança e pergunta já veio inúmeras vezes na mente e nem sei o porque, somente agora o faço.

Grata pela sua resposta,

Fraternal abraço

Respondi o e-mail de maneira simples, porém procurando estar de acordo com a Santa Igreja em tudo. Hoje, pensei que seria interessante compartilhar com todos vocês, pois muitos podem ter a mesma dúvida da nossa leitora. Para que esse artigo fique ainda mais completo, vou acrescentar, além do que respondi no e-mail, o que a Igreja nos ensina através do Catecismo de São Pio X e Catecismo Romano. Vamos à resposta.

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Caríssima ******.

Salve Maria!

Infelizmente muitas orações tiveram seu sentido alterado com o avanço do modernismo e progressismo na Santa Igreja, aqui no Brasil particularmente, temos muitas traduções mal feitas, como na oração do Padre Nosso, no Credo como você menciona e inclusive na liturgia da Missa Nova (na consagração é o caso mair grave, onde se usa POR TODOS no lugar de POR MUITOS, desobedecendo à Santa Igreja e ao Santo Padre Bento XVI que mandou que usassem a tradução correta).

Para ser bem específico sobre o Credo, a Igreja sempre ensinou (e isso continua válido) que Nosso Senhor Jesus Cristo desceu aos Infernos, como pode verificar comparando a oração em português e em Latim:

Mansão dos mortos nesse caso não chega a ser uma tradução totalmente errada, pois quer dizer também Inferno, acontece que Infernos é mais EXATO, e Mansão dos Mortos da margem para interpretações.

Se a sra. pegar diversas fontes antigas, digo, livros de orações, encontrará sempre o texto que citamos acima. Claro que mesmo em versões mais antigas pode encontrar erros de tradução ou traduções não tão precisas (como nesse caso). O Papa Pio XII escreveu um documento (não me recordo o nome) onde diz que não devemos seguir algo só porque é antigo, pois mesmo nas coisas mais antigas pode-se encontrar grandes erros (Exemplo: Liturgias antigas onde os padres rezavam pelas almas do inferno).

Pesquisando um pouco, encontrei uma excelente explicação do Professor Orlando Fedeli [1], explicação que replico na íntegra:

No credo rezamos que Jesus, depois de sua morte na cruz, “desceu aos infernos”.

A palavra “infernos”, no Credo, está no plural, porque ela designa os lugares inferiores, isto é o purgatório, o limbo e o inferno propriamente dito.

Limbos, há dois:

o das crianças que morrem sem o batismo,

e o dos justos que morreram antes de Cristo e que, não tendo ainda sido feita a redenção, não podiam ir para o céu.

Nesse limbo dos justos que haviam morrido antes de Jesus Cristo, estavam Adão, Abraão, Moisés os santos profetas e reis e até São José. Foi a esse limbo que desceu Jesus após a sua morte, para ir lá libertar essas almas e levá-las para o céu, com Ele, na Ascensão. Isso nada tem a ver com a entrega do poder das chaves a São Pedro.

O que nos diz o catecismo de São Pio X [2]:

  • O quinto artigo do Credo ensina-nos que a alma de Jesus Cristo, assim que se separou do corpo, foi ao Limbo e que, ao terceiro dia, se uniu ao corpo, para nunca mais dele se separar.
  • Por inferno entende-se aqui o Limbo, isto é, aquele lugar onde estavam as almas dos justos, esperando a redenção de Jesus Cristo.
  • As almas dos justos não foram introduzidas no Paraíso antes da morte de Jesus Cristo porque pelo pecado de Adão o Paraíso estava fechado; e convinha que Jesus Cristo, cuja morte o reabriu, fosse o primeiro a entrar nele.

Agora vamos ao Catecismo Romano [3]

  • Significação do Mistério: A primeira cláusula deste Artigo propõe-nos a crer que, após a morte de Cristo, Sua Alma desceu aos infernos, e lá ficou todo o tempo que Seu Corpo esteve no Sepulcro.
    Com estas palavras, confessamos igualmente que a mesma Pessoa de Cristo esteve nos infernos, ao mesmo tempo que jazia no túmulo. Este fato não deve estranhar a ninguém. Conforme já dissemos várias vezes, a Divindade nunca se apartou da alma nem do corpo, não obstante a separação que houve entre alma e corpo.

Nesse site você pode encontrar uma explicação de Santo Tomás de Aquino: http://permanencia.org.br/drupal/node/1499

 

Salve Maria Puríssima.

Ataíde Maria – Indigno Escravo de Maria Santíssima

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Fontes de Pesquisa:

[1] http://www.montfort.org.br/bra/cartas/doutrina/20040820233401/ – Visita feita em 31/01/2017 às 11:25 AM

[2] Catecismo Maior de São Pio X – Terceiro Catecismo da Doutrina Cristã – Editora Permanência – 2009

[3] Catecismo Romano – Edição Brasileira – Frei Leopoldo Pires Martins O.F.M – 1951

Sobre o autor

Amor Mariano