Especial Família

A educação cristã dos filhos (VI): Quando os filhos alçam voo de casa

Escrito por Amor Mariano

A primeira saída geralmente é consequência do início dos estudos universitários. Esta é uma idade difícil, tanto para os pais quanto para os filhos. Eles agora já são maiores de idade, e os pais têm que lhes dar mais liberdades e responsabilidades; mas, por outro lado, os pais devem estar atentos para ajudá-los, caso precisem. Saber qual deve ser a atitude dos pais nesse período será o objetivo deste artigo.

Pe. Lucas Prados — Adelante la Fe | Tradução Sensus fidei: Assim como os pássaros em suas primeiras agitações antes de definitivamente abandonarem o ninho, os filhos, chegados aos 18 anos, muitas vezes fazem os primeiros voos curtos. A primeira saída geralmente deve-se ao início dos estudos universitários. Se estudam perto de casa, muitas vezes saem no domingo pela tarde e voltam na sexta-feira. Será alguns anos mais tarde, quando tiverem concluído sua carreira e tenham encontrado o primeiro emprego, é quando se decidem sair definitivamente do ninho para formar seu próprio lar.

Esta é uma idade difícil, tanto para os pais quanto para os filhos. Eles agora já são maiores de idade, e os pais devem lhes dar mais liberdades e responsabilidades; mas, por outro lado, os pais devem estar atentos para ajudá-los, caso precisem.

Saber qual deve ser a atitude dos pais nesse período será o objetivo deste artigo.

A partir dos 18 anos até que terminem os estudos

a.- Confiar neles se fazem por merecer

Uma vez que os filhos completem os 18 e atinjam a idade adulta, a atitude dos pais em relação a eles mudará um pouco, pelo menos quanto à forma de proceder. Primeiramente, os pais tornaram-se conscientes de que o seu filho já atingiu a maioridade legal, de modo que não pode tratá-lo como um jovem adolescente, mas como um adulto (embora, talvez, ainda falte muito para que o seja). Se os filhos respondem positivamente às “novas liberdades” que os pais lhes estão proporcionando, os pais deverão confiar mais neles, pedir-lhes opinião antes de tomar decisões em casa, não obrigá-los a escolher a carreira que os pais sonharam para o seu filho… Todas estas coisas e muitas outras, irão ajudá-los a adquirir o seu próprio julgamento e a tomar decisões responsáveis.

b.- Na área religiosa

No campo religioso, deve-se dar-lhes mais liberdade. Já não é a mesma coisa quando a criança tinha 10 ou 12 anos e se poderia “pressioná-la” para assistir à Missa. Agora temos que deixá-los livres para que façam o que acham que devem fazer. Se a educação foi boa, e os jovens cresceram e amadureceram nas virtudes cristãs, não haverá qualquer mudança essencial. Além disso, às vezes, serão eles quem tomarão a iniciativa. Também não devemos obrigá-los a assistir à Missa com toda a família; se desejam fazê-lo por conta própria ou com seus amigos, não há problema algum. Os pais terão que aprender a “abrir mão” para permitir que o filho faça os seus primeiros voos.

c.- Respeitar o lar e seus costumes

Agora, enquanto esse filho aproveitar dos benefícios que os pais lhe proporcionam, eles deverão respeitar o lar e as regras de convivência que os pais fixaram. Embora o filho agora seja um adulto, não pode fazer na casa de seus pais (que também é dele) o que lhe agrada. O pai continua a ser o chefe da família, e ele como filho, tem de continuar a cumprir o quarto mandamento (“Honra teu pai e tua mãe”).

É por isso que os pais poderão exigir que o filho cumpra com as diretrizes dadas na casa: horário para voltar para casa se fica fora com os amigos, regras comuns sobre o uso de álcool, tabaco e drogas. Ao mesmo tempo, o filho em nenhum momento deverá se sentir liberado de suas próprias obrigações, como um filho, que tem de cumprir na casa: ajudar seu pai no negócio, a mãe a varrer a casa, ou no que for necessário. Os filhos, embora adultos, estão desfrutando do benefício da casa, por isso, é justo que cumpram com as obrigações que os pais lhes peçam respeitosamente.

Não cometam os pais o erro de dar “facilidades” a tudo quanto os filhos peçam. Se desejam ou precisam de algo, eles devem fazer por merecer. Se um filho não cumprir a sua “parte no trato”, os pais não teriam a obrigação moral de lhe dar certas coisas que não sejam essenciais.

Lembro-me muito bem do que aconteceu na minha casa com uma das minhas irmãs. Ela era (é) muito inteligente. Nos estudos sempre foi muito bem; mas antes de terminar seus estudos envolveu-se com um grupo de amigos e com eles passava longas e intermináveis horas de conversa. A princípio, ela começou a voltar para casa por volta da meia-noite. Meus pais não disseram nada. Mas, pouco a pouco, ela continuou esticando o elástico, e alguns meses mais tarde já voltava depois das três da madrugada. Já podem imaginar os nervos dos meus pais. Um dia, quando já não aguentavam mais; porque não podiam dormir tranquilos até saber que minha irmã estava de volta em casa, disseram-lhe: Mesmo você sendo maior de idade, nesta casa a porta se fecha à meia-noite; por isso, se você chegar mais tarde deverá dormir em outro lugar. Minha irmã não acreditou, e na próxima noite chegou por volta de 1 hora. Tocou a campainha. Minha mãe que já estava na cama, fez de se levantar para abrir a porta. Meu pai, que não conseguia dormir lhe disse: “Não se levante! Ela sabia que a porta estaria fechada àquela hora, se veio mais tarde que vá dormir em outro lugar”. Minha mãe, segundo depois me contou, resmungou um pouco, mas em obediência a meu pai não se levantou. Posso assegurar-lhes que aquele foi o último dia que minha irmã chegou tarde. A lição lhe serviu para aprender que, embora fosse maior de idade, deveria respeitar a casa dos meus pais.

d.- Exigentes no estudo

Também é bom que os pais sejam exigentes com seus filhos nos estudos que eles estejam fazendo, dentro da capacidade de cada um. Não é bom que os pais se desentendam ou caiam no erro de pensar que “meu filho se mata de estudar, o que acontece é que os estudos são muito intensos e, portanto, sempre ele falha.” Também não caiam no erro oposto. Os pais devem estar cientes das possibilidades de cada filho e exigir de acordo com elas.

O que não é bom é os pais permitirem que seus filhos, com qualidades para o estudo ou não, desperdicem sete ou oito anos de sua vida na universidade se não aproveitam e, além disso, envolvam-se com bebida, baladas, sair com os amigos, e um largo etecetera que vocês conhecem muito bem.

Terminados os estudos e enquanto o emprego não aparece

É relativamente comum na atualidade um filho concluir os estudos e tenha que permanecer em casa durante alguns anos porque não consegue encontrar trabalho. Se esse for o caso, o tratamento a ser dado deve ser particular.

A este respeito, deparei-me com uma ampla gama que cobre todo o espectro; desde filhos que se esforçam para encontrar trabalho onde quer que seja, até outros que se apoltronam em seu quarto, levantam tarde e vivem como reis às custas de seus seus pais por muitos anos.

a.- Se o filho for respeitoso com os pais

Se o filho for respeitoso com a família, faz todo o possível para encontrar trabalho, e, entretanto, tanto ajuda o seu pai e a sua mãe nas tarefas domésticas ou nos negócios de seu pai … deve ser bem-vindo e atendido enquanto não tiver sorte de encontrar um trabalho digno. No entanto, o filho deverá cumprir as orientações próprias que permitem aos pais em casa e ajudar na medida de suas possibilidades.

b.- Se o filho for um esbanjador e um parasita

Se o filho for um esbanjador, e depois de terminar os estudos se aproveitar da bondade de seus pais e viver às suas custas, sem fazer nenhum esforço para encontrar trabalho. Mais ainda, se fosse um obstáculo para a felicidade da família e um mau exemplo para os seus irmãos. E ainda mais, se ele faz suas travessuras, e aproveita a ausência de casa de seus pais para trazer a amiguinha em casa, ou envolvido com bebidas ou drogas…, os pais têm o dever e o direito de dar um severo aviso; e depois de um tempo razoável, se não ocorrer nenhuma mudança, então, este filho deve ser posto na rua. A casa não é um hotel onde se tem todos os direitos e nenhuma obrigação a cumprir.

Quando saem para formar um novo lar

Se o seu filho sai do lar para formar um outro e recorrer ao sacerdote para se casar e receber todas as bênçãos, parabéns! Vocês fizeram bem e seu filho aproveitou os seus ensinamentos. Mas, infelizmente, esta situação, que até há poucos anos era o costume, tornou-se agora muito comum.

Um problema muito frequente com que os pais católicos têm de enfrentar hoje em dia é quando os filhos saem de casa e se “juntam” com sua namorada sem o sacramento do matrimônio.

É cada vez mais frequente os filhos, que de pequenos fizeram a primeira comunhão e alguns também a confirmação, chegado o momento de se casar, não queiram dar o passo e preferem viver em uma situação de pecado. As razões mais comuns que geralmente reivindicam são: falta de dinheiro para a festa ou querer se conhecer mais antes de dar o grande passo. Mas a verdadeira razão é que não querem “se amarrar definitivamente” pelo sacramento.

Embora a cada dia seja mais frequente a mentalidade divorcista nos novos casais que se casam sacramentalmente; mentalidade culposamente causada pela mesma Igreja como consequência de conceder a anulação do casamento, sem haver justificação legal, a realidade é que eles preferem não se amarrar pelo sacramento. E uma vez que a vida espiritual da maioria deles está totalmente ausente, não se importam em viver em pecado durante muitos anos. Dos que procedem assim, e eu sei por experiência, menos de 30% virão a se casar mais tarde na Igreja. Na verdade, o mais frequente é que, dada a pouca vida espiritual e o materialismo em que vivem, essas uniões pecaminosas acabem em ruptura antes dos dez anos.

O problema que se coloca para os pais católicos se seus filhos vivem com seu parceiro sem a bênção sacramental é realmente sério. Por um lado, eles permanecem seus pais, então, devem rezar por eles, aconselhá-los se estes deixam, atender aos netos…; mas eles nunca poderão fazer “vista grossa” e aceitar este casal como se nada tivesse acontecido. Os pais devem agir com caridade e ao mesmo tempo fazer seus filhos verem que estão vivendo em situação de pecado. Poderá recebe-los em casa para comer, ajudá-los financeiramente se precisam… mas o que nunca podem fazer é dar-lhes abrigo como marido e mulher e dar-lhes um quarto como se nada tivesse acontecido. Os pais deverão ser firmes neste ponto e terão que dizer aos filhos que os receberão em casa e poderão dormir lá somente quando se casarem como Deus manda.

A este respeito, recordo o que aconteceu há alguns anos atrás com um familiar meu. Um de seus filhos, muito inteligente e preparado, casou-se na Igreja, teve dois filhos, e depois de vinte anos de casamento o casal decidiu se separar. A razão que argumentaram perante o tribunal foi: incompatibilidade. Em pouco tempos eles tiveram seu decreto de nulidade.

Não havia passado um ano e este familiar se casou de novo; agora só civilmente. Os pais do não tão jovem noivo fizeram vista grossa e organizaram uma grande festa de casamento, sem se importarem que, o que realmente estavam fazendo, era aprovar o adultério/concubinato. Depois de três ou quatro anos, com a segunda, e entediado dela, juntou-se com a terceira; mas agora, nem com casamento civil. Os pais, que se diziam muito católicos, receberam a nova noiva em casa, como se nada tivesse acontecido. Mas isso não é a coisa, porque aos seus cerca de sessenta e cinco anos, no ano passado, ele deixou a última mulher e foi viver com outra pessoa.

Os pais do “noivo” continuaram recebendo e abençoando os ultrajes desse filho (já avô) como se nada estivesse errado. Esse filho, que poderia ter se arrependido, se seus pais tivessem sido firmes, afastou-se completamente de Deus, vive completamente desiludido, não acredita em nada e nem em ninguém. E o que é pior, o filho, a menos que tenha uma iluminação especial de Deus se condenará; e os pais, por não haver cumprido a sua função, provavelmente também.

……

Com isso, terminamos esta série sobre artigos dedicados à ” Educação cristã dos filhos”. Nunca se esqueçam das ideias centrais: dar exemplo, ser pacientes, ser firmes e, ao mesmo tempo, flexíveis, e acima de tudo, rezar muito.

Pode chegar um momento em que os pais se desanimem porque eles tentaram “tudo” e tenham a tentação de desistir; que isso nunca aconteça. Ainda que sucedesse o pior e o filho abandonasse a fé, a família… continuem rezando, porque Deus tudo pode. E se em algum momento a sua fé vacila, lembrem-se do exemplo que nos deixaram Santa Monica e Santo Agostinho.

Padre Lucas Prados

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Publicação original: Adelante la Fe — La educación cristiana de los hijos (VI): Cuando los hijos vuelan de la casa.

 

Sobre o autor

Amor Mariano