Especial Família

A Instrução intelectual

Escrito por Mateus

Passemos agora das considerações gerais, que acabamos de fazer, aos diversos ramos de educação, que são: a instrução, a vigilância, a correção, o bom exemplo, e a oração.

A instrução intelectual faz muita diferença da instrução religiosa. Falemos primeiramente da ins­trução intelectual.

Quem poderá contestar-lhe as preciosas vanta­gens? A criança sem educação é muito difícil ensi­nar, de modo a ficar compreendendo, as verdades que deve saber, como cristão. Também a ignorância de tudo quanto diz respeito a salvação, acompanha ordinariamente, sobretudo no campo, a falta de ins­trução. Além disso, quantas carreiras ficarão para sempre fechadas a criança, de quantos empregos será ela excluída, se não for instruída! A ilustração enfim torna o estudo possível e fácil, e adiante tra­taremos das vantagens de que o estudo é fecundíssima origem.

Como, pois, desculpar essas mulheres negligentes, que longe de darem a seus filhos uma instrução de harmonia com a sua condição, deixam a sua inteligência sem cultura, e condenam-nos a mirrar-se toda a vida na ignorância? Se se trata de mandar os filhos; para as escolas, não sabem impôr-se nenhuma pri­vação, e recuam diante dos mais insignificantes sacrifícios. Não julgam necessário dar ao filho senão os conhecimentos indispensáveis para a profissão, que mais tarde hão de abraçar. É certo que não simpatizamos com esses pseudo-sábios, que tendo uma instrução medíocre, ostentam um louco orgu­lho; mas quereríamos que todos os filhos do povo, sem excluir as raparigas, aprendessem a ler e a es­crever corretamente e as operações elementares de aritmética. Era para eles o necessário.

Nas famílias mais elevadas, os pais gostam de ornar o espírito dos filhos de todos os conhecimen­tos úteis. Não contestamos esse zelo. Quem quiser saber o que a este respeito pensava Mgr. Dupanloup, leia a sua obra acerca da Educação.

Vamos limitar-nos a transmitir às mães cristãs os conselhos práticos dos autores que mais judiciosa­mente trataram este assunto. Uma mulher cristã, já o dissemos, não deve afastar os seus filhos, mandan­do-os para colégios, contanto, é claro, que a sua inocência não corra perigo sob o teto paterno; mas importa que se comece cedo a instruí-los, ou a fazê-los instruir, quer seja no seio da família, quer nas escolas cristãs mais vizinhas: — «Quando uma criança chega a certa idade, sem se aplicar a coisa alguma, diz Mgr. Dupanloup, não se pode inspirar- lhe gosto pelo estudo, nem por qualquer outra coisa importante.» Todavia seria fatigar uma inteli­gência ainda tenra, sobrecarregá-la demasiadamente. É por isso que o ilustre bispo de Orleans não quer que as crianças comecem muito cedo a falar muitas línguas. Além disso os conhecimentos ensinados nessa idade, só servem para alimentar a vaidade da criança.

Diz Fleury que é importante não castigar demasiado uma criança, para ela não ganhar medo ao estudo. E S. Jerônimo, escrevendo a uma no­bre dama romana afirma: Se vossa filha mos­trar certa repugnância para começar a trabalhar, não a repreendais duramente, mas animai-a antes, por discretos elogios.» Efetivamente os elogios são mais próprios para excitar a emulação, do que muito frequentes, ou mui severas repreensões.

Guardai-vos de obrigar as crianças ao traba­lho, por uma autoridade severa e absoluta, mas fazei-lhes compreender os frutos que tirarão da instrução, e os encantos do estudo. «Notai, diz Fénelon, que há um grande defeito nas educações ordinárias, de forma que a criança só sente abor­recimento ao estudo, guardando todo o seu prazer somente para os divertimentos. Que pode fazer uma criança, senão suportar impacientemente o estudo, e só gostar dos seus brinquedos? Tornemos o estudo agradável; ocultemos a sua aridez, sob a aparência da liberdade e do prazer, permitindo que as crianças o interrompam algumas vezes por meio de anedotas inocentes, e outras ligeiras distrações. É necessário isto para lhes desanuviar o espírito.

Falando a Gaudêncio, da pequena Pacatula, sua filha, que apenas contava sete anos, dizia S. Jerô­nimo: « É necessário que essa menina ame o que tiver de aprender, para que o estudo se torne para ela uma consolação e não tenha o peso dum tra­balho.»

Felizes as crianças, a quem suas mães tiverem logo desde o princípio incutido os prazeres do espí­rito, e inspirado o gosto pelo estudo! Só ele as habitua a uma vida séria e aplicada, desenvolve a inteligência e forma-lhes a razão. O homem que se familiariza com o estudo, e lhe consagra longas horas, enriquece o espírito de conhecimentos úteis, ao mesmo tempo que passa horas deliciosas, esque­cendo as tristezas da vida.

O estudo, diz Rollin, retira o homem da ociosi­dade, do jogo e das más paixões. Preenche utilmente as horas vagas, que tão pesadas são à maior parte das pessoas. O descanso, sem o estudo, é a morte, diz um filósofo pagão. Porque se entregam tantos jovens a todos os excessos, e porque será que homens, aliás inteligentes, passam a vida em ocupações e lei­turas frívolas, sem nunca empreenderem um trabalho sério, sem nunca profundarem as sutilezas da ciência, onde todos os dias se estão a descobrir tesouros desconhecidos? Porque razão não iluminam o mun­do, de que poderiam ter sido a luz, senão porque não amam o estudo? Ah! é porque uma mãe leviana não teve o cuidado de lho inspirar desde a infância.

A Mãe segundo a vontade de Deus – Pe. J. Berthier

Fonte: catolicosribeiraopreto.com

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Mateus