Artigos Catolicidade Historia e Casos Piedosos Tesouro de Exemplos

Tesouro de Exemplos: Escola de Santidade e Sabedoria. (I)

Escrito por Frederico -

PADRE LEOPOLDO BENZE UMA MAÇÃ…

Uma vez, uma menina de cinco anos, numa aldeia perto de Pádua, adoeceu gravemente de parotidite (caxumba) dupla. A pobrezinha ficou muitos dias imóvel no leito sem proferir uma palavra, com as mãos cruzadas debaixo da cabeça e os olhos vidrados e sempre fixos num quadro de Nossa Senhora. Ingeria apenas um pouco de leite e isso mesmo com muita dificuldade. O médico, depois de empregar inutilmente todos os recursos, declarou que o caso era muito grave, porque a infecto estava para atingir o cérebro com perigo de meningite.
Um tio da menina procurou o Padre Leopoldo, narrou-lhe o triste estado da pequena e pediu que dali mesmo lhe desse uma bênção. O bom Padre ficou muito penalizado, inclinou a cabeça até os joelhos e ficou por longo tempo nessa posição. Depois, erguendo-se, com o rosto todo radiante de alegria, disse:
— Espere-me um pouco; eu volto logo.
Saiu do confessionário e depois de cinco minutos, voltou alegre e disse:
— Senhor, fique tranquilo. Sua sobrinha ficará boa.
No mesmo instante chegava um doméstico do convento, trazendo uma linda maçã, que o Pe. Leopoldo benzeu e entregou ao senhor dizendo:
— Leve esta maçã à menina: depois que ela a comer venha dizer-me como está passando.
O homem voltou para casa e encontrou a sobrinha na mesma: imóvel, olhos vidrados e parados. Aproximou-se do leito e mostrou à menina a maçã, dizendo:
— Olha, que bela maçã me deu o Padre Leopoldo…
Coisa maravilhosa! A menina desprendeu as mãos da cabeça, tomou a maçã, sentou-se na cama e comeu com avidez aquela fruta benzida. Estava curada. Todos os presentes choraram de comoção e deram graças a Deus e a Nossa Senhora por aquela grande graça.
O tio retornou imediatamente a Pádua para dar a agradável noticia ao Padre Leopoldo, que, cheio de alegria, exclamou:
— Foi Nossa Senhora… Demos-lhe graças e louvores…

NÃO COMPREENDIA AQUELA FILOSOFIA…

Quando Kassime (Madre Paula Gambini, f 1907) resolveu ir para o convento, a família empregou todos os meios para demovê-la desse generoso propósito. A última prova foi que ela esperasse por mais dois anos. O prazo estava para terminar. Kassime (vaso de perfumes) estava toda radiante e fazia sozinha todos os preparativos para a próxima entrada no convento. No dizer de seu irmão, naqueles dias parecia transfigurada de felicidade. Não podia conter em seu coração tão íntima e verdadeira alegria: muito contra o seu costume, começou a usar os vestidos mais lindos, as jóias mais preciosas. O sorriso nos lábios, os olhos radiantes, falava com vivacidade desusada.
— Esta minha filha perdeu a cabeça! dizia a mãe, quando introduzia visitas na sala, onde Kassime, vestida toda de branco, a cabeça adornada de flores, estava a tocar, o piano. — Vede: amanhã vai me deixar, e está tão feliz…
A pobre senhora não compreendia aquela divina filosofia, pela qual a filha, sem nenhuma lágrima, antes com um gozo indizível, se preparava para deixar todas as coisas do mundo e seguir espontaneamente a Jesus Cristo crucificado, desnudo e privado de tudo. Mas são essas as grandes vocações.

PAPA BENTO XIV E O POBRE…

Apresentou-se certa vez a Bento XIV um pobre pai de família e, contando-lhe suas necessidades, pediu um auxilio.
— Tenho apenas vinte escudos — disse o Papa, — se lhe bastam, dou-os com gosto.
Um jovem prelado, que estava presente, advertiu em voz baixa que vinte escudos eram demais, e bastavam dez.
__ o senhor tem dez escudos consigo? — perguntou-lhe o Pontífice; e o prelado, metendo a mão no bolso, apresentou-lhe dez escudos.
Então o Papa entregando ao pobre seus vinte escudos com mais aqueles dez, disse:
— Agradeça também a Monsenhor, que concorre ao beneficio, acrescentando à minha oferta a sua de dez escudos.
O prelado ficou bastante desapontado, mas calou-se…

 

UMA DE CLEMENTE XIV (PAPA + 1774)

Clemente XIV, chamado antes Lourenço Ganganelli, foi de todos os Papas o que menos falou. Austeríssimo, praticou a pobreza a ponto de escandalizar os romanos.
Era tão modesto em suas maneiras que não raro o tomavam por um simples frade leigo. Aconteceu, certa vez, que, viajando a pé, teve por companheiro um senhor, o qual, tendo-o ouvido falar, disse: –
É deveras um pecado que um homem do vosso engenho e da vossa memória não tenha estudado, e deva continuar toda a vida um simples converso. Se tivésseis estudado, sabe Deus o que serieis um dia.
O suposto fradinho sorriu, mas não se traiu.
Fonte: www.saopiov.org

Sobre o autor

Frederico -