Artigos Crise na Igreja Reflexões

Descentralização: o golpe mortal de Francisco no papado.

Escrito por Frederico -

Voltemos a Cesaréia de Filipe. Ali, na Cidade de César, considerado deus do império romano, pergunta Nosso Senhor a seus discípulos o que pensam os homens dEle e, para eles, quem Ele é. Num ímpeto, São Pedro responde: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16).

Essa é a primeira passagem do Evangelho de São Mateus em que Cristo é proclamado não “Filho de Deus”, mas “O Filho de Deus”.

A reação de Nosso Senhor foi imediata: “Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus. Por isso, eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16,17-18).

Simão foi o primeiro a crer e, por isso, se transforma em Pedro. Aquilo que o faz Pedra é a sua profissão de fé, a fé que a graça de Deus faz explodir em seu coração.

Sem fé, não temos acesso a Cristo. “Sem fé, é impossível agradar a Deus” (Hb 11,6), pois Cristo habita em nossos corações pela fé (cf. Ef 3,17). “Quem é o vencedor do mundo, senão aquele que crê que Jesus é ‘o’ Filho de Deus?” (1Jo 5,5).

O ofício de Pedro consiste exatamente nisso: “Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos joeirar como trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, confirma teus irmãos” (Lc 22,31-32).

Papa Francisco, porém, caminha no sentido apontado por Nosso Senhor?

No relato da confissão de Pedro, no Evangelho de São Mateus, pouco depois, o apóstolo tenta demover Cristo da Cruz. “Mas Jesus, voltando-se para ele, disse-lhe: Afasta-te, Satanás! Tu és para mim um escândalo; teus pensamentos não são de Deus, mas dos homens!” (Mateus 16,23). Ele tinha deixado de pensar como Deus, para pensar como César.

Quem é o César dos nossos dias? Não é justamente o politicamente correto, a nova ética da elite globalista que domina a mídia e as fundações internacionais? Não é o progressismo meta-capitalista de George Soros e companhia, que subsidiam a esquerda internacional para destruir a sociedade e, junto com ela, a Igreja?

Pois bem, em sua carta ao Cardeal Sarah, Papa Francisco, ao confirmar toda a radicalidade de seu ato de descentralização promulgado em Magnum Principium, parece cometer explicitamente um atentado ao papado, à natureza do ofício petrino e, portanto, à constituição divina da Igreja.

O Cardeal africano tentou ainda atenuar a gravidade da situação, dizendo que “reconhecimento” e “confirmação” seriam, na prática, a mesma coisa e estariam a cargo da Sé Apostólica. Francisco desmentiu publicamente, mandou que se publicasse a carta nos mesmos sites e encaminhasse às conferências episcopais de todo o mundo, num ato de urgência em fazer clareza impressionante. Enquanto isso, os dubia

Doravante, às Conferências Episcopais se confere o poder de “confirmar” as suas próprias traduções dos livros litúrgicos, acrescentando, inclusive, as alterações que acharem oportunas. A Santa Sé apenas reconhecerá aquilo que for estabelecido por elas.

Aqui, porém, cabe uma pergunta: e se alguma Conferência Episcopal apresentar uma tradução que contenha alguma heresia?

De fato, Francisco estaria abdicando o ofício de Pedro e se nega a confirmar seus irmãos na fé, que é o maior serviço, o serviço essencial de sua missão como Pastor da Igreja Universal.

Não se trata, aqui, de uma mera nuance administrativa. A Igreja Católica está fundada sobre a rocha fundamental da fé conservada por Pedro, mas Francisco parece renunciar a cumprir o seu papel e mais: fê-lo de modo formal, por escrito e sem deixar dúvidas.

É a fé! É a fé que importa! O ofício petrino é um serviço à fé. É por causa da fé que existe o Papa e não para simplesmente coordenar institucionalmente a Igreja. Aprovando a tradução dos missais, a Santa Sé não estava se impondo ou retirando autonomia dos bispos ou das Conferências dos mesmos, mas apenas servindo-os em benefício da fé. Agindo deste modo, Francisco está se retirando da posição de alicerce da Igreja e, quando se remove um alicerce, o prédio cai!

Qual é nosso papel nessa hora tão dramática? Precisamos fazer como São Paulo, na epístola aos Gálatas: “quando, porém, Cefas veio a Antioquia, resisti-lhe francamente, porque era censurável” (Gl 2,11).

Precisamos resistir e conservar a nossa fé integralmente, a despeito de toda a leviandade em matérias tão fundamentais e sérias. Pelo que geralmente se entende das palavras e gestos de Francisco, ele expressa uma concepção de fé fundamentalmente luterana: uma confiança vaga em Deus que gera um amor naturalista, tão somente filantrópico. Dizendo que não quer transformar a Igreja numa ONG, é exatamente nisso que ele a está transformando, transformando seu ofício numa mera coordenação de ações programadas.

Resistamos! Resistamos com coragem! Conservemos nossa Fé Católica e não nos desencorajemos por causa dessa pública traição, desse adultério contra a sacralidade da Igreja.

Nosso Senhor olhará a nossa fidelidade e a premiará, concedendo-nos, pelas Mãos Imaculadas de Maria, um Pastor fiel, e não alguém que se engraçou com os lobos e que passou a dispersar o seu próprio rebanho, ao invés de congregá-lo.

Fonte:  FratresInUnum.com

Sobre o autor

Frederico -