Artigos Virgem Maria

A Consagração de Portugal e o Triunfo do Imaculado Coração

Escrito por Mateus

A Consagração de Portugal e o Triunfo do Imaculado Coração

por John Vennari

Nota: Este ano assinala o 90º aniversário das aparições de Nossa Senhora em Fátima. Durante estes 90 anos, ainda não se fez a Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria. O texto que se segue demonstra este facto, focando-se na Consagração de Portugal ao Imaculado Coração de Nossa Senhora que se realizou na década de 1930, e cujos resultados foram tão espectaculares que se tem chamado ao Portugal consagrado a “Montra de Nossa Senhora”.

_____________________________________________________________________________

Um dos acontecimentos históricos mais espantosos e que demonstram que ainda não se fez a verdadeira Consagração da Rússia é o contraste entre os efeitos da Consagração do mundo, feita pelo Papa João Paulo II em 1984, e a Consagração que os Bispos de Portugal fizeram do seu país em 1931.

O Patriarca de Lisboa dessa época, o eminente Cardeal Cerejeira, explicou que as bênçãos miraculosas que Nossa Senhora obteve para Portugal através da Consagração de 1931, eram uma previsão do que Ela faria em todo o mundo depois de a Rússia ser devidamente consagrada ao Seu Imaculado Coração. Disse o Cardeal:

“O que se tem passado em Portugal proclama o milagre. É o prenúncio do que o Imaculado Coração prepara para o mundo.”1

Esta dramática Consagração ao Imaculado Coração de Maria demonstra o grande poder de Nossa Senhora, e a Sua fidelidade em cumprir as Suas promessas.

Os Bispos de Portugal consagraram a sua nação ao Imaculado Coração de Maria em 13 de Maio de 1931.

Os efeitos produzidos por esta Consagração foram tão espectaculares que Frère Michel de la Sainte Trinité chamou ao Portugal desse tempo a “Montra de Nossa Senhora”. Parece que Nossa Senhora usou Portugal para demonstrar, a nível nacional, o que faria à escala mundial se o Papa, em união com os Bispos de todo o mundo, consagrasse a Rússia ao Seu Imaculado Coração.

Graças à Consagração de 1931, Portugal recebeu um “Triplo Milagre.”

1) Houve um magnífico Renascimento Católico, uma grande renovação da vida católica.

2) Houve um milagre de renovação política e social.

 3) Houve um milagre de paz, em que Portugal foi poupado ao terror comunista,especialmente da Guerra Civil de Espanha que estava a dar-se do outro lado da fronteira. Além disso, Portugal foi poupado às devastações da 2ª Guerra Mundial

Em 13 de Maio de 1942, o Cardeal Cerejeira não hesitou em atribuir a Nossa Senhora de Fátima as grandes graças que Ela obtivera para Portugal durante este tempo. Disse: “Para exprimir o que tem acontecido aqui há vinte e cinco anos, o vocabulário português só tem uma palavra: milagre. Sim, estamos convencidos de que devemos a maravilhosa transformação de Portugal à protecção da Santíssima Virgem.”

Vamos, portanto, tratar primeiro da Consagração de 1931, e em seguida das grandes graças que esta Consagração obteve.

Foi em 13 de Outubro de 1930 que a Igreja Católica deu a sua solene aprovação canónica às Aparições e à Mensagem de Fátima.

Isto causou naturalmente um grande entusiasmo em todo o país. Foi nesta altura que os Bispos de Portugal, reunidos com o Cardeal Cerejeira, decidiram dar testemunho público da devoção a Nossa Senhora de Fátima. Acordaram que, em 13 de Maio de 1931, teria uma grande peregrinação nacional de acção de graças, a ser organizada e dirigida por todos os Bispos do País. Nesse dia, os Bispos consagrariam solenemente Portugal ao Imaculado Coração de Maria.

Os Bispos tinham já decidido consagrar Portugal ao Imaculado Coração de Maria em Janeiro de 1931. Isto aconteceu quando estavam todos juntos num retiro. É interessante notar que este retiro fora pregado pelo Padre Mateo Crowley, o grande apóstolo do Sagrado Coração.

Foi também dito que a Irmã Lúcia inspirou pessoalmente a ideia desta Consagração nacional.

Em 1928, no dia festivo de Cristo-Rei, os Bispos portugueses já tinham consagrado Portugal ao Sagrado Coração de Jesus. E assim, estes Bispos consideraram, e com muita razão, que a Consagração do País ao Imaculado Coração de Maria seria uma continuação e concretização natural do primeiro acto.

Em 13 de Maio de 1931, trezentos mil fiéis deslocaram-se a Fátima para estarem presentes nesse acontecimento. E com a vossa permissão, gostaria de apresentar a bela fórmula da Consagração daqueles bons Bispos. É realmente uma homenagem à fé do episcopado português daquele tempo.

“Os Pastores escolhidos por Vosso Filho para guardarem e apascentarem em Seu nome as ovelhas que Ele adquiriu com o Seu Sangue — nesta terra de Santa Maria cujo nome se não pode pronunciar sem pronunciar o Vosso — vêm hoje — solenemente consagrar-vos, como representantes ungidos e oficiais dos seus rebanhos , a Nação Portuguesa ao Vosso Coração Imaculado, num acto de filial vassalagem de fé, amor e confiança; a fim de que Vós, tomando-a de nossas mãos frágeis nas Vossas, a defendais e guardeis como coisa própria vossa, fazendo que nela reine, vença e impere Jesus, fora do qual não há salvação.”

A seguir, os Bispos referiram-se ao perigo iminente da contaminação por parte dos Comunistas.

“Nós, os Pontífices do nosso povo, sentimos rugir em torno a procela temerosa, que ameaça dispersar e perder o rebanho fiel dos que vos bendizem por serdes a Mãe de Jesus, e aflitos erguemos para Vosso Filho as mãos suplicantes, gritando-Lhe: ‘salva-nos, Senhor, que perecemos!…’

“Intercedei por Portugal , Senhora, nesta hora gravíssima em que sopram do Oriente 10 ventos furiosos que trazem gritos de morte contra Vosso Filho e a cultura fundada sobre os Seus ensinamentos, desvairando as inteligências, pervertendo os corações, e inflamando o mundo em chamas de ódio e revolta. Socorro dos Cristãos, rogai por nós!”

Como se pode ver, isto dirige-se certeiramente aos Comunistas.

Também acho edificante o facto de estes Bispos se mostrarem preocupados com a conservação da CRISTANDADE. Falam de um mal que traz consigo “gritos de morte contra o Vosso Filho e contra a civilização assente na Sua doutrina.”

Os Bispos deram em seguida atenção à desmoralização crescente da sociedade:

“Intercedei por Portugal, Senhora, nesta hora conturbada em que as vagas imundas duma imoralidade já sem véus, que perdeu até a noção do pecado, pregando diante da Cruz de Vosso Filho a reabilitação da carne, ameaça afogar no mundo o lírio da virtude que se alimenta do Sangue eucarístico de Jesus. Virgem poderosa, rogai por nós!

“Intercedei por Portugal, Senhora, nesta hora torva de paixões e de incertezas, em que até os bons correm risco de perder-se… Uni todos os portugueses na obediência de Vosso Filho, e no amor da Igreja, e no culto da virtude, e no respeito da ordem, e na caridade fraterna. Rainha da paz, rogai por nós!

“Lembrai-vos, emfim, ó Padroeira da nossa terra, que Portugal ensinou tantos povos a saudar-vos bendita entre todas as mulheres. Em memória do que fez pela Vossa glória, salvai-o, Senhora de Fátima, dando-lhe Jesus, em Quem ele encontrará a Verdade, e a Vida, e a Paz.”2

Uma bela oração — cheia de fé!

E Nossa Senhora — em resposta a estes Bispos, que cumpriram com tal exactidão os Seus pedidos — concedeu a Portugal aquilo a que se chama o Triplo Milagre, e a que já me referi:

1) Um magnífico Renascimento Católico, uma grande renovação da vida católica;

2) Um Milagre de reforma política e social; 3) Um Milagre de paz, em que Portugal foi poupado ao terror comunista, e às devastações da 2ª Guerra Mundial.

Para a maior parte das informações, tomei por base o Volume II da magnífica trilogia The Whole Truth About Fatima de Frère Michel de la Sainte Trinité.

  • O Milagre da Conversão

 O primeiro deste triplo milagre foi o Milagre da Conversão — um magnífico Renascimento Católico. Esta renovação católica foi tão assinalável, tão dramática, que até as pessoas que então viveram não tiveram dúvidas em a atribuir a uma obra de Deus.

Nesta altura, houve um aumento dramático das vocações sacerdotais e religiosas. Por exemplo, na diocese de Portalegre só havia 18 seminaristas em 1917. Por volta de 1933, havia 201. Observou-se o mesmo em todas as dioceses portuguesas.

O número de padres em Portugal aumentou pelo menos 25 por cento. Esta estatística manteve-se alta até 1964. Depois do Concílio Vaticano II, as vocações começaram a diminuir, como aconteceu em todo o mundo.

Quanto aos religiosos, o seu número quase quadruplicou em 10 anos. A mesma curva ascendente notou-se também no número de comunidades religiosas em Portugal na mesma altura.

Finalmente, houve uma grande renovação da vida cristã, que se observou de muitas maneiras, incluindo o desenvolvimento da imprensa católica, da rádio católica, das peregrinações, dos retiros espirituais, e num movimento magnífico da Acção Católica, que estava firmemente integrado nas estruturas diocesanas e na vida paroquial. Havia nesta altura uma associação chamada Pia União dos Cruzados de Fátima que chegou a ter cerca de quinhentos mil membros. O povo era tão convictamente anti-comunista quanto era devoto do Sagrado Coração de Jesus e do Imaculado Coração de Maria.

Este Renascimento Católico foi tão grande que, em 1942, os Bispos de Portugal declararam numa Carta Pastoral Colectiva:

“Se alguém tivesse fechado os olhos há vinte e cinco anos e os abrisse hoje, não reconheceria Portugal, tão vasta foi a transformação operada pelo factor modesto e invisível da Aparição da Santíssima Virgem em Fátima. Nossa Senhora quer realmente salvar Portugal.”3

Assim, o primeiro efeito de Nossa Senhora de Fátima e especialmente da Consagração nacional foi este magnífico Renascimento Católico em Portugal.

2) O Milagre da renovação política e social

O segundo grande Milagre em Portugal foi o Milagre da renovação política e social.

Devemos recordar que os Bispos consagraram Portugal a Nossa Senhora para que Ela o salvasse do Comunismo que estava a enraizar-se na vizinha Espanha.

Em 1932, um chefe intransigentemente católico, de seu nome António de Oliveira Salazar, foi nomeado Presidente do Conselho de Ministros de Portugal. Salazar tinha entrado para o Governo em 1928. O seu objectivo era pôr em prática um programa católico que fosse contra-revolucionário. De facto, Salazar veio a receber uma bênção especial do Papa Pio XII pelo seu trabalho.

“Abençoo-o de todo o meu coração, e exprimo os desejos mais ardentes de que possa completar com sucesso a sua obra de restauração nacional, tanto espiritual como material.”4

Como eu disse, o programa de Salazar era um programa católico e contra-revolucionário. Chamou ao Comunismo “a maior heresia do nosso tempo” e aplicou toda a sua força a combatê-lo. Foi um adversário intransigente do socialismo, do liberalismo e, para usar as suas próprias palavras, opunha-se a “tudo o que diminua, divida ou dissolva a família”.

Salazar disse: “Por mim, só tenho um objectivo … O que proponho é fazer com que Portugal regresse permanentemente à vida!” E explicou:

“Queremos conservar a todo o preço, perante esta onda que está a cair por todo o mundo, a simplicidade da vida, a pureza da moral, a gentileza dos sentimentos, o equilíbrio das relações sociais, e esta atmosfera familiar, modesta mas nobre, que é própria da vida portuguesa.”5

Muito simplesmente, o seu objectivo era estabelecer a Ordem Social Católica, em que o Estado, o Governo e as instituições sociais baseassem as suas leis do que está certo e errado naquilo que os Evangelhos ensinam que está certo e errado e naquilo que a Igreja ensina que está certo e errado. Neste processo, Salazar chegou mesmo a dissolver a Maçonaria em Portugal em 1935.

Salazar desejou deixar à Igreja Católica uma liberdade de acção completa e sem restrições. Permitiu que a religião católica fosse ensinada em todas as escolas, e não apenas nas escolas paroquiais. Os pais que não fossem Católicos e não quisessem que os filhos recebessem esta instrução podiam pedir dispensa destas aulas, porque a Fé Católica nunca é metida à força em ninguém; mas em Portugal inteiro, a educação católica dos jovens foi grandemente favorecida.

Outro desenvolvimento notável foi a legislação de Salazar sobre o casamento, em que se lia que “O Estado português reconhece os efeitos civis dos casamentos celebrados segundo as leis canónicas.” E a seguir introduz na legislação artigos que desaprovavam o divórcio. Lê-se no Artigo 24: “Em harmonia com as propriedades essenciais dos casamentos católicos, entende-se que o facto da celebração de um matrimónio canónico significa que os nubentes renunciam ao direito legal de pedir um divórcio.” Era uma lei do Estado que dizia que, se os católicos contraíam um matrimónio válido, não havia maneira de sequer pedir um divórcio.

O efeito desta lei foi que o número de casamentos católicos não diminuiu, mas antes aumentou. Assim, em 1960, cerca de 91 por cento de todos os casamentos no País eram casamentos canónicos. Consegue imaginar um país onde 91 por cento dos casamentos são casamentos católicos, canónicos e sacramentais, e que os casais que contraem matrimónio aceitam completamente o facto de que o divórcio está fora de questão? Isto é que é a civilização do amor! — e já não se encontra em parte nenhuma no início do Terceiro Milénio.

Assim, enquanto que tantos outros países do mundo tinham problemas com o comunismo, o humanismo, o socialismo e a revolução, Salazar estava praticamente só no estabelecimento de uma nação que se baseava sobretudo nos princípios sociais católicos. Por outras palavras, com a verdade objectiva, com a realidade.


3) O Milagre da Paz

O terceiro milagre foi o Milagre da Paz, pelo qual: 1) Portugal foi poupado ao terror comunista, e 2) Portugal foi poupado aos horrores da 2ª Guerra Mundial.

Era bem conhecido que o plano de Moscovo era implantar o Comunismo na Espanha.

Porque se fizessem isto, a Europa ficava entalada pelo Comunismo. Teria de um lado a Rússia comunista, e do outro a Espanha comunista; o Comunismo podia assim atacar a Europa de ambos os lados.

Os Bispos portugueses seguiam isto com grande atenção. Iam seguindo os acontecimentos na Espanha, e tinham receio por Portugal. Por isso, em 13 de Maio de 1936, os Bispos reuniram-se e fizeram um voto secreto. Prometeram que fariam uma peregrinação nacional a Fátima em 1938 “para agradecer solenemente à Mãe Santíssima se concedesse a Portugal a vitória sobre o Comunismo e a bênção da paz.” (São as palavras do Cardeal Cerejeira.)

Isto é que é ter Fé!

Em 13 de Julho de 1936, apenas dois meses após este voto, deu-se o assassínio do deputado monárquico Calvo Sotelo, que marcou o início da Guerra Civil de Espanha. Como Frère Michel sublinhou, a ameaça a Portugal era grave. Humanamente falando, era praticamente inevitável que o contágio revolucionário alastrasse para dentro de Portugal.

Mas tal não aconteceu.

Podia ter acontecido, e por pouco que não aconteceu.

Por exemplo, em 8 de Setembro de 1936, dois navios de guerra portugueses amotinaram-se para se juntarem aos Comunistas em Espanha. Logo que Salazar soube disto, deu ordens para que os navios fossem bombardeados até se renderem ou se afundarem.

Quando Salazar fez isto, recebeu apoio total dos Bispos portugueses. E não tardou que os amotinados voltassem a si. Mais tarde, os Bispos escreveram sobre o acontecimento. Disseram que “iniciou-se um movimento revolucionário, que foi prontamente dominado. Assim, Portugal pôde continuar em tranquilidade no caminho do trabalho e do progresso.”

Este foi um grande perigo que foi afastado. Quase um ano depois houve outro, um atentado contra a vida de Salazar.

Em 4 de Julho de 1937, Salazar ia a caminho da Missa numa capela particular em casa de um amigo. Na altura em que ia a sair do carro, explodiu uma bomba apenas a três metros de distância (a bomba estava escondida numa caixa de ferro). Mas a explosão não chegou a ferir Salazar, nem o seu motorista (embora o pobre homem tivesse ficado surdo). Em vez de se mostrar emocionalmente arrasado, Salazar disse simplesmente aos que estavam próximos: “Calma,” e depois virou-se para o seu amigo e disse: “Vamos lá à Missa.” Como se nada de extraordinário tivesse acontecido.

Se Salazar tivesse sido assassinado, o país teria caído numa desordem incrível, que seria terreno fértil para o Comunismo. E os Bispos, numa carta colectiva de 1938, reconheceram que foi um acto de Deus que protegeu a vida de Salazar da tentativa de assassínio.

Por volta de 1938, o General Franco estava a caminho da vitória em Espanha, e diminuíra finalmente o perigo para Portugal. E assim, em 13 de Maio de 1938, quando os Bispos portugueses cumpriram a sua promessa e renovaram a Consagração Nacional ao Imaculado Coração de Maria, o Cardeal Cerejeira reconheceu publicamente que Nossa Senhora de Fátima tinha poupado Portugal ao flagelo do Comunismo.

“Desde que Nossa Senhora de Fátima apareceu em 1917 … desceu sobre a terra de Portugal uma bênção especial de Deus … Sobretudo se considerarmos os dois anos que passaram desde a nossa promessa, não podemos deixar de reconhecer que a mão invisível de Deus tem protegido Portugal, poupando-o ao flagelo da guerra e à lepra do Comunismo ateu.” 6

Até o Papa Pio XII se admirou por Portugal ter sido poupado ao Comunismo. Numa alocução ao povo português, o Papa referiu-se ao “Perigo Vermelho, tão ameaçador e tão perto de vós, e, todavia, evitado de uma maneira tão inesperada”.7

A 2ª Guerra Mundial

Para Portugal, tinha nesta altura passado um perigo, mas estava já prestes a enfrentar outro. Escapara ao contágio do Comunismo da Espanha, mas agora ia começar a 2ª Guerra Mundial. Em 6 de Fevereiro de 1939, sete meses antes da declaração de guerra, a Irmã Lúcia escreveu ao seu Bispo, D. José da Silva, e disse-lhe que a guerra estava iminente, mas participou-lhe uma promessa magnífica e miraculosa. Disse que “nesta guerra horrível, Portugal seria poupado devido à Consagração nacional ao Imaculado Coração de Maria, feita pelos Bispos.”

E Portugal foi poupado aos horrores da guerra. Os pormenores são demasiado numerosos para agora tratar deles, (mas podem lê-los no Volume II da obra de Frère Michel The Whole Truth About Fatima.)

Em 2 de Dezembro de 1940, a Irmã Lúcia escreveu ao Papa Pio XII, dizendo-lhe que Portugal estava a receber uma protecção especial durante a guerra, protecção essa que outras nações teriam recebido se os Bispos tivessem consagrado as suas nações ao Imaculado Coração de Maria.

Escreveu o seguinte:

“Santíssimo Padre… Nosso Senhor promete, em atenção à consagração que os Exmos. Prelados portugueses fizeram ao Imaculado Coração de Maria, uma protecção especial à nossa pequena nação, e que esta protecção será a prova das graças que concederia às outras nações, se, como esta, se Lhe tivessem consagrado. ”8

Por isto é que Frère Michel de la Sainte Trinité chamou ao Portugal daquele tempo “Montra de Nossa Senhora.”

Quando os Bispos consagraram Portugal ao Seu Imaculado Coração, deu-se um Triplo Milagre:

1) Houve um magnífico Renascimento Católico, uma grande renovação da vida católica.

2) Houve um milagre de renovação política e social,

3) Houve um milagre de paz, sendo Portugal poupado ao terror comunista, em especial à Guerra Civil de Espanha, que decorria tão perto. E Portugal foi ainda poupado às devastações da 2ª Guerra Mundial.

Este Triplo Milagre que Nossa Senhora concedeu à escala nacional a Portugal é o que Ela quer conceder a todo o mundo de uma forma ainda mais magnífica. Mas tal não acontecerá, até que o Papa, em união com todos os Bispos do mundo, consagre a Rússia ao Imaculado Coração de Nossa Senhora, tal como Nossa Senhora de Fátima pediu.

A Rússia de hoje: Não houve um triplo milagre

Assim, não é difícil compreender como Portugal foi chamado nesta altura a “Montra de Nossa Senhora”. Este Triplo Milagre de Portugal é uma previsão de como ficará a Rússia, e o mundo, depois de se fazer a verdadeira Consagração da Rússia. Esta previsão também é útil para nós, porque nos dá uma medida para podermos julgar o presente. Se contrastarmos o Triplo Milagre de Portugal com a situação presente da Rússia e do mundo, é óbvio que ainda não se fez a Consagração da Rússia como foi pedida.

Vamos examinar cada ponto, separadamente:

1) Depois da Consagração de 1931, houve um grande Renascimento Católico em Portugal. Mas depois da Consagração do mundo de 1984, a Rússia não apresenta uma renovação da vida católica.

A Igreja Católica ainda é uma religião minoritária na Rússia. A maior religião na Rússia é a Igreja Ortodoxa cismática, a segunda maior é o Islão, a que se segue uma variedade de seitas protestantes. A religião católica tem na Rússia apenas o estatuto de seita entre as seitas, ou seja, está ao mesmo nível das estranhas religiões minoritárias, como os Moonies, os Mórmons, os Quakers, as Testemunhas de Jeová, os Hare Krishnas e a Igreja da Cientologia.

Devo mencionar aqui um facto que devia ser óbvio: a conversão da Rússia de que Nossa Senhora falou é a conversão à Fé Católica. Isto não é apenas um ponto de senso comum, mas também se encontra no testemunho do Padre Joaquín Alonso, talvez o maior

especialista de Fátima do Século XX. O Padre Alonso, que fez muitas entrevistas à Irmã Lúcia, escreveu em 1976:

“… poderíamos dizer que Lúcia pensou sempre que a ‘conversão’ da Rússia não se entende apenas como um regresso dos povos da Rússia à religião cristã ortodoxa, rejeitando o ateísmo marxista e ateu dos Soviéticos, mas que se refere, pura e simplesmente, à conversão total e integral de um regresso à única e verdadeira Igreja, a Católica Romana.”10

De facto, em 3 de Setembro de 2006, a United Press International [UPI] noticiou que a Igreja Ortodoxa Russa disse que há agora mais de 5.000 seitas na Rússia, com cerca de 10 milhões de pessoas. O Padre Yevgeny Tremaskin, subdirector do Centro de Reabilitação das Vítimas de Religiões Não-Tradicionais e dos Cultos do Ocultismo e de Feitiçaria, diz que o seu centro está “continuamente a ser contactado por parentes de pessoas que morreram e rituais de cultos e cujos bens foram levados pelas seitas.”

O Padre Yevgeny declarou: “As diversas seitas dirigem-se a sectores diferentes da população. Algumas dirigem-se aos funcionários públicos, e outras aos trabalhadores. Assim, os Cientologistas e as Testemunhas de Jeová foram-se estabelecendo nos círculos administrativos e militares e na comunidade da educação. A filosofia oriental e hindu tem-se espalhado pela elite intelectual, mas dirige-se sobretudo aos jovens.”

Isto não é a “conversão da Rússia”, especialmente quando comparamos a situação actual da Rússia com a magnífica renovação da vida católica em Portugal, que resultou da Consagração dos Bispos.

2) A seguir à Consagração de 1931, deu-se em Portugal o milagre da renovação política e social, de acordo com os princípios sociais católicos. Mas depois da Consagração de 1984, não houve uma reforma social católica em parte alguma da Rússia. Pelo contrário, a Rússia está actualmente cheia de imoralidade e decadência.

Mais de 23 anos depois da Consagração, a Rússia tem a maior percentagem de abortos do mundo. O Padre Daniel Maurer, CJD, que passou recentemente oito anos na Rússia, diz que, segundo as estatísticas, a mulher russa comum fará oito abortos durante o seu período de fertilidade — embora o Padre Maurer acredite que o número verdadeiro é cerca de 12 abortos por mulher. Falou com mulheres que chegaram a fazer 25 abortos. As razões dadas para estes números horripilantes são que ainda não foram introduzidos na Rússia outros métodos contraceptivos (que, de qualquer maneira, são imorais), e que não confiam neles. Isto deixa o aborto como a “maneira mais barata de limitar o tamanho da família”. Actualmente, os abortos são gratuitos na Rússia, mas os partos não são.11

O contraste é evidente

Em Portugal, a seguir a 1931, um Chefe do Governo católico practicamente impediu o divórcio. Mas na Rússia do pós-1984, a percentagem de divórcios iguala a dos Estados Unidos; o que quer dizer que há uma percentagem de divórcios extremamente alta.

A Rússia tem ainda o maior consumo de álcool do mundo. O satanismo está a aumentar na Rússia, a taxa de natalidade está a diminuir a pique, e a homossexualidade está espalhada, tanto em Moscovo como por todo o país. De facto, em Abril de 1993, nove anos depois da Consagração do mundo de 1984, o Presidente russo Boris Yeltsin permitiu que a homossexualidade fosse descriminalizada. A homossexualidade é agora “legal” na Rússia.12

Pior ainda, a Rússia é actualmente um dos principais centros mundiais de distribuição de pornografia infantil. A Associated Press referiu-se, em 9 de Agosto de 2001, a uma rede de pornografia infantil, com base em Moscovo, ligada a outra rede de pornografia infantil do Texas. Citando a AP:

“A legislação russa não distingue entre pornografia infantil e pornografia envolvendo adultos, e trata a produção e distribuição de qualquer delas como um crime menor, disse Dmitry Chepchugov, chefe do departamento de crimes de alta tecnologia do Ministério do Interior russo. A Polícia russa queixa-se muitas vezes do caos legal que transformou a Rússia num centro internacional de produção de pornografia infantil. ‘Infelizmente, a Rússia tornou-se um caixote do lixo de pornografia infantil à escala mundial,’ disse Chepchugov aos jornalistas em Moscovo”.

Depois, há notícias perturbadoras de um programa recente, e altamente imoral, de “reality TV” que os telespectadores russos estão a ver aos milhões.

Milhões de telespectadores russos estavam a seguir o novo (e obsceno) programa de “Reality TV”, Za Steklom (“Por detrás da vidraça”). Sobre este programa, que ia para o ar três vezes por dia, uma agência noticiosa comentou: “A Rússia fez um esforço visível para fazer este programa mais ousado do que outros semelhantes no Ocidente”.

Seis jovens concorrentes, de idades à volta de vinte e poucos anos — três homens e três mulheres — são fechados num apartamento em que 60 câmaras filmam-nos 24 horas por dia. Todas as suas actividades são filmadas e transmitidas, incluindo banhos de chuveiro e coisas piores. É um programa de “reality TV” classificado como obsceno, com jovens casais a praticar actos altamente imorais em frente das câmaras.

No London Times de 24 de Novembro de 2001, Mark Franchetti noticia que, apesar de manifestações de reprovação por parte dos velhos Comunistas da linha dura, os telespectadores russos “não se fartam” desta “versão mais porca” da Reality TV. Franchetti escreve que o programa “tem uma percentagem de audiências de mais de 50%, e milhares de russos suportaram temperaturas abaixo de zero para esperarem em bichas, durante mais de uma hora, para conseguirem dar uma espreitadela por uma janela da casa. Milhões de pessoas consultaram o respectivo site da Internet, que foi abaixo várias vezes devido à intensidade do trânsito.”

O próximo exemplo é tão impressionante que até hesitei em me referir a ele. Mas é preciso que me refira, se quisermos compreender a verdadeira situação na Rússia.

No início de Abril de 2005, os guardas fronteiriços russos mandaram parar um comboio vindo da Ucrânia, e confiscaram uma mula que levava 25 fetos humanos congelados, escondidos em duas garrafas termos. O proprietário da mula disse que tinha comprado os fetos a um centro de pesquisas médicas; mas esta história não era verdadeira.

Aquela carga sinistra, de facto, consistia em bebés abortados de moças e mulheres jovens, que estão a ser exportados da Ucrânia para uso em tratamentos de beleza ilegais, que custam milhares de dólares.

O London Observer de 17 de Abril noticiou que há marginais que pagam às mulheres para venderem os fetos abortados a clínicas de charlatães, para tratamentos de injecções ‘anti-velhice’ que dizem que rejuvenescem a pele e curam uma série de doenças.

“Pensa-se”, disse The Observer, “que mulheres naquela antiga República soviética recebem 100 libras de cada vez, para serem persuadidas a terem abortos e deixarem que os fetos sejam usados em tratamentos. A maior parte dos fetos é vendida na Rússia por mais de 5.000 libras cada um. Algumas mulheres recebem mais dinheiro para fazerem abortos numa fase mais avançada da gravidez.”

Os fetos são congelados criogenicamente e passados aos salões de beleza. Lê-se em The Observer: “Os salões de beleza em Moscovo que compram o material abortado para uso em ‘terapia fetal’ estão a prosperar, apesar de uma proibição na Rússia de todos os tratamentos comerciais que usem células humanas, com a excepção de medula óssea. Os salões oferecem injecções de células estaminais, as células não divididas presentes nos embriões que se podem adaptar a qualquer tipo de tecido, embora estejam ainda numa fase experimental em todo o mundo.”

Embora os abortos feitos para além de 12 semanas de gravidez sejam restritos na Ucrânia, estes abortos tardios são encorajados, porque se pensa que os alegados “poderes curativos” destes bebés abortados mais velhos são maiores.

Este processo envolve médicos corruptos. “Quando um médico quer um feto para vender”, disse Sergiy Shorobogatko, um antigo polícia de Kiev que investigou este assunto, “diz a uma moça que há uma razão médica para fazer um aborto depois das 12 semanas.”

A mulher seria paga para esperar até uma altura mais tardia da gravidez, ou talvez nunca chegue a saber que foi enganada, disse Shorobogatko. O bebé abortado passaria a um intermediário ou a uma instituição, em que, segundo The Observer, “seria cortado em órgãos separados antes de ser armazenado”. As partes do corpo são depois vendidas e exportadas.

Embora as injecções de células fetais sejam proibidas na Ucrânia e na Rússia, continuam a estar muito disponíveis em salões que levam até 10.000 libras (aproximadamente 20.000 dólares americanos). Dizem aos clientes abastados que os tratamentos podem deter o processo de envelhecimento, ou eliminar estados debilitantes como a doença de Parkinson ou Alzheimer. “Uma clínica da moda em Moscovo”, disse The Observer, “‘prometia ‘tirar 10 anos da sua face’.”

O Professor Vladimir Smirnov, director do Instituto de Cardiologia Experimental de Moscovo, disse: “Estamos a falar de um comércio enorme, corrupto e perigoso em terapias charlatanescas.”

As actividades policiais contra esta abominação constante são notoriamente relaxadas na Rússia.13

Alguém com um mínimo de juízo poderá considerar isto como sendo a conversão da Rússia?

O Santo Padre Pio ou S. Maximiliano Kolbe ou Santa Teresa de Lisieux chamariam a isto um triunfo do Imaculado Coração?

Chamar ao que acabei de descrever o “triunfo do Imaculado Coração” prometido em Fátima é uma blasfêmia.

E finalmente:

3) Em resultado da Consagração de 1931, foi concedido a Portugal o milagre da paz: foi poupado aos horrores da Guerra Civil de Espanha e da 2ª Guerra Mundial. Pelo contrário, depois da Consagração de 1984, não houve paz. A promessa de paz que se seguiria a uma verdadeira Consagração da Rússia não se aplicará somente à Rússia, mas a todo o mundo: “será concedido ao mundo algum tempo de paz,” como foi prometido pela linda Senhora vinda do Céu.

Não é necessário demonstrarmos em pormenor a ausência de paz, especialmente à luz do 11 de Setembro e do que se lhe seguiu. O “pior ataque terrorista da história” não será um dos momentos definidores do Triunfo do Imaculado Coração. A guerra constante no Médio Oriente é prova que chegue.

Não estamos num tempo de paz porque a Consagração ainda não foi feita. Mas isso não quer dizer que, enquanto não foi feita, não façamos nada; que nos sentemos e fiquemos à espera.

Podemos ainda fazer Consagrações ao Imaculado Coração de Nossa Senhora. Estas graças estão ao nosso alcance.

Conclusão:

Como leigo que sou, eu não posso estar a dizer aos Bispos e aos padres o que hão-de fazer. Mas vou-lhes dizer o que gostaria de ver acontecer.

Gostaria de ver os Bispos a consagrarem as suas dioceses ao Imaculado Coração de Maria; e a associar-se aos Bispos seus colegas para consagrarem as suas nações ao Imaculado

Coração de Maria.

Gostaria de ver os padres a consagrarem as suas paróquias ao Imaculado Coração de Maria.

Gostaria de ver padres e Bispos a promover entusiasticamente a Mensagem de Fátima, e dar a esta Mensagem um lugar central nas suas vidas.

Gostaria de ver os maridos e pais a consagrarem as suas famílias e os seus lares, e cada um dos seus filhos, individualmente, ao Imaculado Coração de Maria; para que Ela os conserve e proteja, como fez à nação portuguesa.

Gostaria de ver todas as pessoas consagrarem-se ao Imaculado Coração de Maria, e viverem esta Consagração, obedecendo a todos os pedidos de Nossa Senhora de Fátima: o Terço quotidiano; os Cinco Primeiros Sábados; os sacrifícios pelos pecadores; a oferta dos deveres quotidianos a Deus como acto de sacrifício.

Finalmente, e mais importante ainda, gostaria de ver — e rezo todos os dias para que o veja — o Papa, em união com todos os Bispos do mundo, a consagrar a Rússia ao Imaculado Coração de Maria; para podermos ver o Seu triunfo, que será a paz de Cristo no Reino de Cristo.

Transcrição editada da palestra dada na Conferência “Fátima: A última oportunidade para a paz mundial” em Tuy, Espanha, em 10 de Outubro de 2006.

Notas:

  1. Cardeal Cerejeira, Prefácio a Jacinta (1942), Obras Pastorais, Vol. II, p. 333. Cf. também a sua homilia de 13 de Maio de 1942, Merv. XX’s, p. 339. Citado de The Whole Truth About Fatima, Vol. II, “The Secret and the Church”, de Frère Michel de la Sainte Trinité (edição em inglês, Immaculate Heart Publications, Buffalo, NY, 1989), p. 437. 2. Ibid., pp. 392-393. 3. Carta Pastoral colectiva para o Jubileu das Aparições em 1942, Merv. XX’s, p. 338. Citado de The Whole Truth About Fatima, Vol. II, p. 410. 4. Ibid., p.412. 5. Ibid., p. 419. 6. Ibid., p. 426. 7. Ibid., p. 422. 8. Ibid., p, 428. 9. Dados obtidos de “This Present Darkness,” Part II, Mark Fellows, Catholic Family News, Setembro de 2000. 10. La Verdad Sobre el Secreto de Fátima, Fátima sin mitos, Padre Joaquín Alonso, (2ª edição, Ejército Azul, Madrid, 1988) p. 78. O texto original em espanhol é: “… podríamos decir que Lucía ha pensado siempre que “conversión” de Rusia no se entiende sólo de un retorno de los pueblos de Rusia a la religión cristiano-ortodoxa, rechazando el ateísmo marxista y ateo de los soviets, sino que se refiere pura y llanamente a la conversión total e integral de un retorno a la única y verdadera Iglesia, la católico-romana.” 11. Os comentários do Padre Maurer foram feitos numa entrevista publicada pelo Catholic World Report em Fevereiro de 2001. Uma sinopse e comentário desta entrevista aparece em “The Myth of a Converted Russia Exposed”, de Marian Horvat, Ph.D., Catholic Family News, Março de 2001. 12. “Russia Legalizes Homosexuality”, United Press International, 28 de Maio de 1993. Citamos o princípio do artigo: “Os activistas homossexuais da Rússia celebraram na Sexta-feira uma grande vitória dos direitos dos gays na Rússia pós-soviética, com a abolição do Artigo 121 do código penal soviético, que criminalizava o sexo consensual entre homens. ‘É uma grande notícia para os gays e lésbicas da Rússia,’ disse Vladislav Ortanov, editor da revista gay de Moscovo Risk.” 13. “Beauty Salons Fuel Trade in Aborted Babies”, London Observer, 17 de Abril de 2006.

Fonte: www.fatima.org

Sobre o autor

Mateus